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Sobre bens materiais (PDF) Edição em PDF

Sobre bens materiais

Em Atos 2:41-47 e 4:32-35 lemos:

Atos 2:41-47
“De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas, e perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações. E em toda a alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos. E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo cada um havia de mister. E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, Louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar.”

E Atos 4:32-35
“E era um o coração e a alma da multidão dos que criam, e ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns. E os apóstolos davam, com grande poder, testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça. Não havia, pois, entre eles necessitado algum; porque todos os que possuíam herdades ou casas, vendendo-as, traziam o preço do que fora vendido, e o depositavam aos pés dos apóstolos. E repartia-se a cada um, segundo a necessidade que cada um tinha.

Quando eu me deparei pela primeira vez com essas passagens eu fiquei totalmente confuso: eles tinham tudo em comum; eles vendiam seus bens e distribuíam a todos conforme a necessidade; não havia ninguém entre eles necessitando! Depois de ler estas passagens, senti-me perplexo e muitas perguntas vieram à minha mente: o que acabamos de ler significa que não devemos possuir nada e em vez disso, devemos colocar isso em um fundo comum? Se esta é a vontade de Deus para nós por que não ouvimos muito sobre isso na igreja de hoje e, além disso, por que não vemos essas passagens serem vividas dessa maneira? Possuir algo é certo ou errado?

Hoje eu gostaria de passar por aquilo que a Palavra de Deus não só diz sobre as duas passagens acima de Atos, mas também sobre o tema de bens em geral. E quero deixar claro desde o início que, embora muitas vezes venhamos a falar sobre bens materiais, acredito que o que veremos se aplica a quaisquer bens que Deus possa ter colocado em nossa confiança, como por exemplo, talentos e tempo.

1. Bens materiais: Não é antibíblico ter

Com o tempo, muito depois do meu primeiro encontro com Atos 2:41-47 e 4:32-35, eu percebi que o fato de hoje não vermos muitos vendendo seus bens e colocando-os em um estoque comum, não é algo antibíblico. Atos 2 e 4 não nos dizem que cada cristão tem que vender seus bens e colocar os lucros em um fundo comum. A posição dos apóstolos sobre o assunto pode ser vista lendo um pouco mais em Atos 5:1-4. Lá nós lemoss:

Atos 5:1-4
“Mas um certo homem chamado Ananias, com Safira, sua mulher, vendeu uma propriedade, e reteve parte do preço, sabendo-o também sua mulher; e, levando uma parte, a depositou aos pés dos apóstolos. Disse então Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, e retivesses parte do preço da herdade? Guardando-a não ficava para ti? E, vendida, não estava em teu poder? Por que formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus.”

“Guardando-a não ficava para ti? E, vendida, não estava em teu poder?” Se Ananias tivesse ficado com sua propriedade e não a tivesse vendido, NÃO seria um pecado. O pecado de Ananias não foi que ele era dono de uma terra, mas que ele trouxe parte do preço para os apóstolos, apresentando como o preço total. Era lícito ter uma terra e era lícito ficar com todo o lucro da sua venda. O que não foi lícito, porém, foi apresentar o lucro a Deus e à igreja como o preço total da terra. Isso foi uma mentira a Deus e foi isso que Pedro condenou. Portanto, podemos inferir a partir disso que não é um pecado possuir bens materiais e nem que todo mundo na igreja do primeiro século teve que vender seus bens depois que se tornou um cristão.

Avançando também no Novo Testamento, podemos ver que na igreja de Corinto contribuições eram coletadas a cada semana para as necessidades dos santos (I Coríntios 16:1). Vemos também o mesmo em Atos 11:27-30 onde, devido à penúria, as contribuições foram coletadas e enviadas para os irmãos na Judéia. Eles não foram pedidos para vender seus bens, mas para dar uma oferta, fazer uma contribuição. Além disso, a existência de pobres por si só mostra que eles não tinham tudo em comum, em um fundo comum em Jerusalém digamos, como neste caso não haveria necessidade para Paulo pedir aos coríntios por uma doação: eles já teriam tudo no fundo comum de qualquer maneira.

Além disso, no Antigo Testamento existem muitos exemplos de pessoas que Deus abençoou com bens materiais. Abraão, Jó, Davi, Salomão, Jacó são alguns exemplos de pessoas que eram de fato proprietários de muita riqueza material, que veio de Deus.

Do texto acima, portanto, podemos dizer que a prática descrita em Atos 2 e 4, não é claramente um mandamento bíblico ou algo que alguém tem que fazer quando se torna um cristão. Em vez disso, é um ato voluntário que os membros da igreja de Jerusalém fizeram. Deus, de fato, honra a posse e não devemos nos sentir condenados, pois não vendemos a nossa casa ou terreno e não colocamos o lucro em um fundo comum. As passagens acima, no entanto, passam uma mensagem que vai muito além da Jerusalém daquela época. Deus tem um propósito para ter colocado essas passagens lá. E eu acredito que um propósito é mostrar-nos a visão correta em relação aos bens materiais. Certamente não é pecado possuir bens materiais ou mesmo ser rico. Caso contrário, teríamos que excluir todos os caras ricos da Bíblia e eu tenho medo se fizéssemos isso, nós eliminaríamos uma grande parte dela! Deus também dá bênçãos no campo financeiro. Como ele diz em Malaquias 3:10-12 falando sobre o dízimo :

Malaquias 3:10-12
“Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes. E por causa de vós repreenderei o devorador, e ele não destruirá os frutos da vossa terra; e a vossa vide no campo não será estéril, diz o SENHOR dos Exércitos. E todas as nações vos chamarão bem-aventurados; porque vós sereis uma terra deleitosa, diz o SENHOR dos Exércitos.”

Também em Salmos 112:1-3, lemos:

“Louvai ao SENHOR. Bem-aventurado o homem que teme ao SENHOR, que em seus mandamentos tem grande prazer. A sua semente será poderosa na terra; a geração dos retos será abençoada. Prosperidade e riquezas haverá na sua casa, e a sua justiça permanece para sempre.”

Portanto, não é errado para alguém ter posses. Voltando a Atos, no entanto, isso significa que devemos ter a atitude certa em relação às posses. Que atitude é esta? É a atitude que reconhece que tudo pertence a Deus. Que Ele é o provedor e tudo é dele. Como Jó, o homem mais rico de seu tempo, disse quando de repente perdeu tudo:

Jó 1:21
“Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o SENHOR o deu, e o SENHOR o tomou: bendito seja o nome do SENHOR.

Significa reconhecer que tudo pertence a Deus! Como os comentários da Aplicação Bíblica na Vida sobre Atos 4:32:

“Nenhum desses cristãos [os cristãos que vimos em Atos 4:32] sentiam que o que eles tinham era deles, e assim eles foram capazes de dar e partilhar, eliminando a pobreza entre eles. Eles não deixariam que um irmão ou irmã sofresse enquanto os outros tinham muito. Como você se sente sobre os seus bens? Devemos adotar a atitude de que tudo o que temos vem de Deus e só estamos compartilhando o que já é dele.”

Também como 1 João pergunta:

1 João 3:17
“Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitado, lhe cerrar as suas entranhas, como estará nele o amor de Deus?”

Dizer a alguém que Deus abençoe você não ajuda muito se não estamos dispostos a ajudar, embora possamos.

2 . Devemos ajudar sem qualquer qualificação?

Agora, tendo lido tudo acima, isso significa que devamos ajudar a todos sem restrições? Isso significa que tenhamos que satisfazer todas as necessidades que vemos diante de nós? Acredito que não. Provérbios 3:27 nos diz:

De fato, existe um mandamento para “não reter o bem”. Este é um mandamento de Deus e é o mesmo mandamento que vimos também em Tiago e João. Nós devemos, de fato, fazer o bem. De fato, devemos compartilhar nossos recursos limitados com os outros que têm necessidades. Mas o versículo continua adicionando duas qualificações. Não devemos reter o bem:

I) daqueles a quem isso é devido e

II) quando está em nosso poder fazê-lo.

A primeira qualificação significa que nem todos aqueles que você vê como necessitando de ajuda, precisam realmente de ajuda. 2 Tessalonicenses 3:6-15 dá um exemplo de um caso como este:

2 Tessalonicenses 3:6-15
“Mandamo-vos, porém, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo o irmão que anda desordenadamente, e não segundo a tradição que de nós recebeu. Porque vós mesmos sabeis como convém imitar-nos, pois que não nos houvemos desordenadamente entre vós, nem de graça comemos o pão de homem algum, mas com trabalho e fadiga, trabalhando noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós. Não porque não tivéssemos autoridade, mas para vos dar em nós mesmos exemplo, para nos imitardes. Porque, quando ainda estávamos convosco, vos mandamos isto, que, se alguém não quiser trabalhar, não coma também. Porquanto ouvimos que alguns entre vós andam desordenadamente, não trabalhando, antes fazendo coisas vãs. A esses tais, porém, mandamos, e exortamos por nosso Senhor Jesus Cristo, que, trabalhando com sossego, comam o seu próprio pão. E vós, irmãos, não vos canseis de fazer o bem. Mas, se alguém não obedecer à nossa palavra por esta carta, notai o tal, e não vos mistureis com ele, para que se envergonhe. Todavia não o tenhais como inimigo, mas admoestai-o como irmão.”

Na igreja de Tessalônica, havia alguns irmãos que não estavam dispostos a trabalhar. Eles eram preguiçosos. E a preguiça traz pobreza (Provérbios 10:4, 24:33-34). A Palavra de Deus não considera essas pessoas como pessoas a quem “o bem é devido”. Em vez disso, fica muito claro: se você não quer trabalhar, então não coma também. A igreja não deve apoiar, mas em vez disso, deve retirar isso desses irmãos para que eles se envergonhem e comecem a mudar. O próprio Paulo nunca pediu apoio quando ele esteve lá, mas ele estava trabalhando duro para que ele não sobrecarregasse ninguém. A Palavra de Deus é clara: se uma pessoa é pobre e sua pobreza é devido à preguiça então ele não é uma pessoa a quem é devido apoio. A solução para a sua pobreza não é apoio, mas trabalho. Pode parecer duro, mas como a Palavra diz em Provérbios 16:26: “O trabalhador trabalha para si mesmo, porque a sua boca o incita”. Pobreza, neste caso, não é algo ruim, mas um estimulante que pode ajudar a pessoa preguiçosa sair de sua preguiça .

Também uma segunda qualificação é “quando está no poder da sua mão fazê-lo”. Isto por sua vez, implica que você não pode abranger tudo. Há coisas que você pode ver, necessidades que você pode sentir, e ainda assim não está em seu poder ajudar . Esta qualificação também está presente no verso de João que lemos anteriormente: “Quem, pois, tiver bens do mundo”. Como Bill Hybels diz sobre este ponto1:

“O livro de Provérbios nos diz para não condenar a nós mesmos ou escorregar em desespero porque pensamos que estamos fracassando em um mundo necessitado. Nesses momentos temos de dizer com ternura, mas com firmeza, “ Não está em meu poder fazer isso.” Então precisamos confiar em Deus para atribuir essa tarefa especial para alguém.”

Avançando, podemos ver que, além das qualificações acima, há também algumas outras prioridades que o próprio Deus estabeleceu. Um tal prioridade é dada em 1 Timóteo 5:8:

1 Timóteo 5:8
“Mas, se alguém não tem cuidado dos seus, e principalmente dos da sua família, negou a fé, e é pior do que o infiel.”

O que este versículo nos diz é que a primeira prioridade tem que ser aqueles que são “de nossa própria família”. Nós temos a responsabilidade de fornecer a eles primeiro. Como Provérbios 6:1-5 diz:

Provérbios 6:1-5
“Filho meu, se ficaste por fiador do teu companheiro, se deste a tua mão ao estranho, e te deixaste enredar pelas próprias palavras; e te prendeste nas palavras da tua boca; Faze pois isto agora, filho meu, e livra-te, já que caíste nas mãos do teu companheiro: vai, humilha-te, e importuna o teu companheiro. Não dês sono aos teus olhos, nem deixes adormecer as tuas pálpebras. Livra-te, como a gazela da mão do caçador, e como a ave da mão do passarinheiro.”

Como a Bíblia de Aplicação Diária ( Life Application Bible ) comenta sobre essa passagem:

“Estes versos não são um apelo contra a generosidade, mas contra uso abusivo de recursos financeiros próprios e agindo de maneira irresponsável que poderia levar à pobreza. É importante manter um equilíbrio entre generosidade e boa administração. Deus quer ajudar nossos amigos e os necessitados, mas ele não promete cobrir os custos de cada compromisso imprudente que fazemos. É igualmente importante agir com responsabilidade para que a nossa família não sofra”.

Para resumir o que vimos até agora:

Deus quer que vejamos nossas posses como pertencentes a Ele. Ele deve ser livre para fazer o que quiser com elas.

Deus nos chama para sermos liberais e não fechar as nossas entranhas de compaixão aqueles que têm necessidade entre nós. O mandamento para fazer o bem vem porém com algumas qualificações:

I) fazer o bem àqueles que é devido e

II) se isso está em nossas mãos.

Finalmente, as obrigações familiares têm prioridade sobre quaisquer outras obrigações. Não se espera de nós que ajudemos os outros quando a nossa própria família está necessitada, mas espera-se que façamos isso quando as necessidades de nossos familiares já estiverem cobertas.

3. Bens: Perigos

Acho que poucos temas são tão complicados quanto o tema sobre bens2. Acho que este tópico necessita de um equilíbrio muito bom. A Bíblia é clara que Deus abençoa Seus filhos com bens materiais. Também é clara, que Ele quer que sejamos bons administradores de tudo o que Ele nos tem dado, incluindo os nossos bens. Afinal, é ele quem nos tem proporcionado isso. Nossos bens pertencem a Ele. Por outro lado, a Palavra de Deus adverte muito sobre os perigos provenientes de amar os bens. Aqui está como Paulo vê o assunto, falando por meio de revelação:

1 Timóteo 6:6-12
Mas é grande ganho a piedade com contentamento. Porque nada trouxemos para este mundo, e manifesto é que nada podemos levar dele. Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes. Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores. Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a paciência, a mansidão. Milita a boa milícia da fé, toma posse da vida eterna, para a qual também foste chamado, tendo já feito boa confissão diante de muitas testemunhas.”

Nós não trouxemos nada para este mundo e, obviamente, nada podemos levar dele. Alimento e abrigo são realmente tudo o que precisamos, materialmente falando. Você tem comida e abrigo? Milhões de pessoas neste mesmo mundo que você e eu vivemos, sob este mesmo céu, não. Eles estão com fome e sem lar. Sejamos contentes em ter alimento e abrigo. Deus dá bênçãos materiais. Vimos esses exemplos na Bíblia. Mas é Ele quem dá não nós que os desejam! Se VOCÊ deseja ser rico e opulento, então você já está em tentação. E como Tiago diz sobre tentação:

Tiago 1:13-15
“Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta. Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte.”

Se você deseja ser rico, está claro: você está se dirigindo para o pecado. Desejar tornar-se rico é um desejo pecaminoso que vai trazer frutos mortais em seu tempo. Não é a riqueza por si só o problema. É o desejo de ser rico que é o problema. Você quer ser mais e mais rico? É este o seu desejo? Se sim, então você peca e precisa mudar imediatamente. Jó era o homem mais rico do oriente. Mas ele não amava a riqueza! Aqui está seu testemunho:

Jó 31:19-28
“Se alguém vi perecer por falta de roupa, e ao necessitado por não ter coberta, se os seus lombos não me abençoaram, se ele não se aquentava com as peles dos meus cordeiros, se eu levantei a minha mão contra o órfão, porquanto na porta via a minha ajuda, então caia do ombro a minha espádua, e separe-se o meu braço do osso. Porque o castigo de Deus era para mim um assombro, e eu não podia suportar a sua grandeza. Se no ouro pus a minha esperança, ou disse ao ouro fino: Tu és a minha confiança; Se me alegrei de que era muita a minha riqueza, e de que a minha mão tinha alcançado muito; Se olhei para o sol, quando resplandecia, ou para a lua, caminhando gloriosa, e o meu coração se deixou enganar em oculto, e a minha boca beijou a minha mão, também isto seria delito à punição de juízes; pois assim negaria a Deus que está lá em cima.

Jó era o homem mais rico do oriente, mas sua riqueza não era a sua alegria! Ele não colocou sua confiança na riqueza. E eu acredito que esta é a questão importante: onde a nossa confiança está? A confiança de Jó estava em Deus. A segurança de Jó não era a conta bancária ou a grande propriedade, mas Deus. Não o ouro, mas o Senhor. É por isso que ele reagiu da maneira como ele reagiu quando perdeu tudo: “Deus deu, Deus tomou”, disse ele. Jó, neste assunto também, era apenas um administrador de Deus. Isso não significa que ele foi negligente e preguiçoso com o seu negócio. Ele tinha pessoas trabalhando para ele. Ele tinha um negócio real, o maior negócio de sua época. E ainda olhe para sua atitude. Ele não foi tocado pela riqueza. Não era seu objetivo. Tenho certeza de que seu negócio era muito bom. Não por causa de métodos astutos de Jó, mas porque Deus o abençoou. Mas para Jó tudo vinha de Deus e pertencia a ele.

Ele não se perdoaria ao alegrar-se sobre os seus bens, ou colocar a sua confiança em dinheiro. Podemos descobrir o quão longe estamos dele, observando o nosso comportamento. O que acontece quando a riqueza está derramando? Como reagimos? Não nos alegramos com bens? Como reagimos quando perdemos as coisas? É a prosperidade financeira, para ser rico, um dos nossos objetivos? Deus dá bênçãos materiais, mas por que deveríamos tirar o foco delas? Por que devemos desejar sermos ricos? Tendo alimento e abrigo ESTEJAMOS CONTENTES, diz a Palavra! Não são as bênçãos nosso foco, mas DEUS. Não é a conta bancária, a nossa segurança, mas o SENHOR. Não é o ouro a nossa confiança, mas Cristo!

A parábola do homem rico

Um exemplo oposto, é o exemplo do homem que colocou sua confiança no dinheiro, encontrado em Lucas 12:13-21 . Lá lemos:

Lucas 12:13-21
“E disse-lhe um da multidão: Mestre, dize a meu irmão que reparta comigo a herança. Mas ele lhe disse: Homem, quem me pôs a mim por juiz ou repartidor entre vós? E disse-lhes: Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui. E propôs-lhe uma parábola, dizendo: A herdade de um homem rico tinha produzido com abundância; E ele arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei? Não tenho onde recolher os meus frutos. E disse: Farei isto: Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens; E direi a minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga. Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus.”

Tanto o homem da parábola e Jó eram homens ricos. Mas isso era a sua única semelhança. Enquanto a alegria de Jó não dependia de sua riqueza e seu ouro não era a sua confiança, este homem aqui é exatamente o oposto. Ele é o retrato de um homem mundano rico. Infelizmente muitos de nós fomos criados com os padrões mundanos de sucesso e esses padrões frequentemente, medem o sucesso pela quantidade de dinheiro que ganhamos. Um trabalho é um bom trabalho se lhe dá um monte de dinheiro e é um mau trabalho se não está te dando um monte de dinheiro. Nenhuma palavra sobre o contentamento, ou seja, se temos o que comer e temos um teto sobre nossas cabeças. Então esse cara aqui era um homem “bem sucedido”. A terra lhe trouxe tanto que ele não sabia onde colocar tudo isso. Então aqui está o que ele decidiu: “E disse: Farei isto: Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens; E direi a minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga.” Não era a abundância que era ruim. A terra produziu muito. A riqueza veio a ele. Isto por si só não era um problema. O problema é o que ele decidiu sobre isso e como ele enfrentou todo o problema. E o desafio é o mesmo para nós: o que fazemos com a riqueza? Agora você pode dizer, irmão, eu só estou ganhando o suficiente para viver... assim, essa passagem é irrelevante para mim. Louvado seja o Senhor que você tenha o suficiente para viver! Fique contente com isso. Mas eu acredito que esta parábola não é só para os ricos . Esse cara acordou um dia e encontrou-se com muito. Se você não está claro sobre riqueza, se você não tem claros valores bíblicos sobre o assunto, então, se a riqueza chega para você, como fez a este homem e também como fez com Jó, pode ser uma armadilha e uma tentação. Portanto, o problema com este homem não era que ele tinha muito, mas sua reação em relação a isso. Em tudo o que ele diz as palavras “eu” e “meu” são proeminentes. Onde está Deus em tudo isso? Onde está um agradecimento a Deus? Onde está o reconhecimento de que Ele é o dono de tudo isso e nós somos meros administradores, mas que não devemos nos apegar ao que nos foi confiado. Tudo pertence a Deus, não a nós. Assim, ele falhou ao reconhecer o fornecedor da boa colheita. Ele falhou ao dar glória ao dono de tudo. Ao contrário, ele considerava tudo como pertencendo a ele. Este foi seu primeiro erro. Outros seguiram este modelo também: “Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens.” Planos, planos e mais planos. Mas com que objetivo? Não para ajudar os pobres e necessitados, não para financiar os propósitos de Deus, nem mesmo para ajudar sua família e amigos. Todo o planejamento era sobre ele. “E direi a minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga.” Todo seu bem foi baseado na riqueza . Ele se alegrou muito nisso. Ele agora pensou, “relaxar... agora eu obtive o objetivo: comer, beber e folgar” Este é o objetivo de muitas pessoas: “comer, beber e folgar. Estar livre de problemas! Fazer muito dinheiro de modo que agora ou depois, possa ser capaz de comer, beber e ser folgar.” Voltando ao nosso companheiro, um outro erro dele é que seu planejamento era como o planejamento de um homem que ia viver para sempre aqui! Mas no meio deste planejamento egoísta Deus falou com ele dizendo: “Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus.” Esse cara era um louco. Ele colocou a sua confiança na riqueza, pensando que isso iria fazê-lo ficar livre dos problemas. Em outras palavras, ele fez exatamente o oposto do que fez Jó: o ouro tornou-se sua confiança. Como Jesus disse: “Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui.” A vida de um homem não consiste no que ele tem. E é isso que vemos neste homem rico: o dia de seus planos egoístas para uma vida feliz confiando na riqueza tornou-se em uma noite de dor e morte.

Voltando ao planejamento, não é planejar por si só que é ruim, mas o planejamento egoísta como foi o planejamento desse homem. Como Tiago disse em Tiago 4:13-16

“Eia agora vós, que dizeis: Hoje, ou amanhã, iremos a tal cidade, e lá passaremos um ano, e contrataremos, e ganharemos; Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque, que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanece. Em lugar do que devíeis dizer: Se o Senhor quiser, e se vivermos, faremos isto ou aquilo. Mas agora vos gloriais em vossas presunções; toda a glória tal como esta é maligna”.

O que Tiago condena aqui não é o planejamento. Mas os planos que são baseados no “eu”. Somente Deus sabe o futuro. Não sabemos nada, nem mesmo o segundo seguinte. Podemos muito bem não estar vivos na próxima hora. Quem sabe? Você sabe? Só Deus sabe. O planejamento do homem rico da parábola que Jesus deu e o planejamento dessas pessoas aqui em Tiago foram ambos nada mais do que uma vã jactância em seus seres. “Se o Senhor quiser, e se vivermos, faremos isto ou aquilo”. Este é o modo certo para fazer um plano e pensar sobre o futuro. É certo fazer planos, é certo fazer o melhor de tudo o que Deus colocou em sua mão. O que está errado é confiar no que Deus colocou em sua mão, a confiança na riqueza em vez de confiar em Deus. De fato, isto irá levá-lo à destruição.

Provérbios 11:28
“Aquele que confia nas suas riquezas cairá”

Enquanto Salmos 1:1-2 nos diz:

“Bem-aventurado o homem que... tem o seu prazer na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite.”

A felicidade não é uma questão de quão grande são os seus bens, mas de quão perto você está de Deus. Se você confiar na riqueza, você vai cair, mas se você se alegrar na Palavra de Deus, você será feliz.

Anastasios Kioulachoglou

 



Notas de Rodapé

1. Bill Hybels, Making Life Work, Intervarsity Press, p.69

2. Aqui, deixe-me, por favor, dizer novamente que por bens eu não me refiro apenas aos bens materiais, mas tudo que podemos ter. Isto pode, por exemplo, ser talentos ou tempo. O tempo é um bem que tem sido dado a nós e devemos realmente fazer o melhor uso dele.