Ester: Estudo Bíblico



Existem muitos lugares na Bíblia que se refere ao poder de libertação de Deus. Um deles é também o livro de Ester. Eu gostaria de tomar um tempo neste artigo para olhar para este livro e as lições que ele nos dá.

 

Ester 1, 2: O pano de fundo

Os acontecimentos descritos no livro de Ester aconteceram quando o povo de Israel era cativo na Babilônia. O local da história é Susã, a cidade onde o Rei da Pérsia e Média, o Rei Assuero1, vivia. Este Rei após mandar embora sua primeira esposa, a rainha Vasti2, ele estava buscando uma nova esposa para se tornar rainha. Nesse intuito organizaram uma competição onde mulheres de todo o reino foram convidadas a vir até Susã com o propósito de que uma delas preenchesse o lugar vazio da rainha. (Ester 2:1-4). No meio dessas mulheres estava também Ester, uma jovem hebreia que foi criada por Mardoqueu, um dos cativos que foram trazidos de Jerusalém por Nabucodonosor (Ester 2:5-7). Finalmente esta jovem após obter a graça3, primeiro de “Hegai, guarda das mulheres" (Ester 2:9), segundo a graça "de todos que a viram" (Ester 2:15) e por fim e mais importante a graça do próprio Rei (Ester 2:17), ganhou a competição. Então Ester se tornou a nova rainha. Contudo, ela não revelou a ninguém que era judia, conforme a ordem dada por Mardoqueu. Então ninguém, nem mesmo o Rei sabia qual a nacionalidade de Ester.

 

Ester 3: o problema começa

Embora tudo parecesse estar bem, Ester 3:1 apresenta uma nova pessoa que vem trazer grandes problemas. Ester 3:1-6 nos fala sobre essa pessoa e o problema causado.

 

Ester 3:1-2, 5-6
"Depois destas coisas o rei Assuero engrandeceu a Hamã, filho de Hamedata, agagita, e o exaltou, e pôs o seu assento acima de todos os príncipes que estavam com ele. E todos os servos do rei, que estavam à porta do rei, se inclinavam e se prostravam perante Hamã; porque assim tinha ordenado o rei acerca dele; porém Mardoqueu não se inclinava nem se prostrava. ...... Vendo, pois, Hamã que Mardoqueu não se inclinava nem se prostrava diante dele, Hamã se encheu de furor. Porém deteve a idéia de seus propósitos de pôr as mãos só em Mardoqueu (porque lhe haviam declarado de que povo era Mardoqueu); Hamã, pois, procurou destruir a todos os judeus, o povo de Mardoqueu, que havia em todo o reino de Assuero."

 

Começando do fim desta passagem, parece que estamos realmente no início de grande problema. Hamã, o homem a quem o rei tinha exaltado “sobre todos os príncipes que estavam com ele”, isto é, o homem que era o segundo no comando no reino, estava cheio de fúria por Mardoqueu, porque ele se recusou a curvar-se perante ele. Por esta razão ele queria destruir toda a nação de Mardoqueu, ou seja, os judeus. Embora parecesse evidentemente loucura que ele quisesse destruir toda uma nação por causa de um homem que não se curvou diante dele, existem mais percepções espirituais em sua ação do que a primeira vista nos revela. Realmente, desde o grande reino, no qual Hamã era o segundo no comando, estendendo da Índia até Etiópia (Ester 1:1) podemos entender que nenhum Judeu sobreviveria se Hamã cumprisse suas ameaças. Agora se isto acontecesse então a questão é como Cristo nasceria? Deus tinha prometido inicialmente à Abraão (Gênesis 17:7 e Gálatas 3:16) e mais tarde a Davi que de seu povo sairia o Cristo. Contudo, se as ameaças de Hamã se realizassem então a promessa sobre Jesus Cristo poderia não se cumprir e todo o plano de Salvação de Deus falharia. As ameaças de Hamã não eram apenas paranóicas, mas completamente diabólicas. Era o mal que estava atuando por trás de Hamã, tentando cancelar a vinda de Cristo, destruindo toda a nação, exatamente como em séculos mais tarde ele tentou, através de Herodes, matar o Cristo antes que Ele cumprisse sua missão. Resumindo então, o primeiro problema de Deus em relação à promessa de Jesus Cristo. Aqui temos um homem que tinha em sua mente o propósito de cancelar essas promessas, matando todos os judeus. A questão é: Será Deus capaz de defender suas promessas? Normalmente: Ass promessas de Deus são quebradas ou podem elas ser quebradas pelo mal, ou qualquer homem, mesmo sendo este homem o segundo no comando de um reino tão vasto de seu tempo?

Ainda acima expusemos o problema, ainda não dissemos nada sobre a causa deste problema. De fato, alguns de nós podemos questionar por que Mardoqueu não se curvou diante de Hamã, mostrando-lhe respeito. Afinal, Hamã era o segundo no comando, o homem mais próximo ao Rei. Por que então Mardoqueu não prestou homenagem a ele como o Rei ordenou? (Ester 3:21) Era orgulhoso? A resposta é não. A razão pela qual Mardoqueu não prestou homenagem a Hamã será compreendida se você prestar atenção na parte do texto que diz que Hamã era AGATITA. Isto significa então que ele veio do reino de Agag, um rei dos Amalequitas4, que em outras palavras significa, se não estivermos equivocados, que ele mesmo era um amalequita5. O que há de errado nisto? O problema é que os amalequitas lutaram contra Israel quando estes estavam a caminho da terra prometida (Êxodos 17), eles foram chamados por Deus de INIMIGOS DE DEUS. Êxodos 17:14-16 vai nos dizer claramente:

 

Êxodos 17:14-16
"Então disse o SENHOR a Moisés: Escreve isto para memória num livro, e relata-o aos ouvidos de Josué; que eu totalmente hei de riscar a memória de Amaleque de debaixo dos céus. E Moisés edificou um altar, ao qual chamou: O SENHOR É MINHA BANDEIRA. E disse: Porquanto jurou o SENHOR, haverá guerra do SENHOR contra Amaleque de geração em geração."

 

Hamã então, sendo um amalequita era um inimigo de Deus. Por isso Mardoqueu tinha duas escolhas: i) honrar a Hamã, o inimigo de Deus, porém desonrar a palavra de Deus ou ii) honrar a palavra de Deus e negar prestar homenagem a Hamã. De fato, ninguém pode dizer que ele representa Deus quando ele está pronto na primeira ocasião de comprometer-se com a Palavra de Deus. A única maneira de conhecer Deus é através de sua Palavra e a única maneira de permanecer em Deus é permanecer em Sua palavra. Mardoqueu decidiu não desonrar a Palavra de Deus e prestar homenagem, curvando-se perante o inimigo de Deus. Em outras palavras, ele decidiu permanecer em Deus, confiando que Deus o livraria conforme Suas promessas6. A segunda questão que necessita de resposta é: será Deus capaz de livrar Mardoqueu , um homem que permaneceu Nele? Mais especificamente: Deus é capaz de livrar-nos de nossos perigos quando decidimos confiar Nele e permanecermos firmes em sua Palavra, ou apenas estamos expostos aos desejos e ao poder dos homens?

A resposta às questões acima, temos que seguir lendo o livro de Ester.

 

3. Ester and Mardoqueu

Após Hamã decidir destruir todos os judeus, ele precisava estabelecer uma data para isto para obter a permissão do Rei. Ester 3 nos fala que ele fixou uma data no décimo terceiro dia do décimo segundo mês (Ester 3:13) e que, após ele afirmar que os judeus não cumpriam as leis do Rei [eles tinham a lei de Deus] e depois de oferecer ao Rei uma grande quantia de dinheiro [10.000 talentos de prata] ele finalmente obteve a aprovação de seus planos (Ester 3:8-10). A ordem em relação à destruição dos judeus foi escrita sob a custódia do próprio Hamã, e foi enviado a todas as províncias do Rei causando grande lamentação entre todos os judeus (Ester 3:12-15, 4:3). O próprio Mardoqueu estava tão triste que "rasgou as suas vestes, e vestiu-se de saco e de cinza, e saiu pelo meio da cidade" clamando "com grande e amargo clamor" (Ester 4:1). Ester, que ainda não sabia sobre o decreto ficou muito triste quando soube que Mardoqueu, seu pai adotivo, estava muito amargurado e enviou um dos seus servos até ele para descobrir qual o motivo (Ester 4:4-6). Por meio deste servo, Mardoqueu a fez saber tudo o que tinha acontecido, pedindo-lhe também para ir ao Rei e rogar por seu povo (Ester 4:7-9). Como deve lembrar-se Ester, sendo rainha, não tinha uma posição pequena no reino. Contudo, no princípio ela ficou relutante em fazer o que Mardoqueu havia pedido, uma vez que não era permitido a ninguém ir até o Rei sem ser convidado. (Ester 4:10-12).

Alguém poderia esperar que uma vez que Ester, a Rainha, estava relutante em ajudar, não haveria a menor possibilidade para Mardoqueu e os judeus escaparem da ira de Hamã. Contudo, as coisas não são assim. Porque, apesar de Ester estar relutante, a promessa de Deus sobre a fidelidade de Mardoqueu não depende de Ester, mas de Deus. Ele era responsável em encontrar uma saída. Certamente Ester era uma ótima possibilidade e foi por isso que Mardoqueu pediu a ela. Mas o fato de ele ter pedido a ela não significa que sua confiança estava nela e não em Deus. Veja sua resposta à relutância de Ester:

 

Ester 4:13-14
"Não imagines no teu íntimo que por estares na casa do rei, escaparás só tu entre todos os judeus. Porque, se de todo te calares neste tempo, socorro e livramento de outra parte sairá para os judeus, mas tu e a casa de teu pai perecereis; e quem sabe se para tal tempo como este chegaste a este reino?"

 

Mardoqueu confiou em Deus. Sua resposta dada a Ester mostra que ele estava ciente que Deus havia levado Ester ao reinado para este tempo de dificuldade. É por isso que ele pediu ajuda a ela. Contudo, quando ele viu que ela estava relutante, ele a disse que mesmo sem sua ajuda, Deus era capaz de libertar os judeus “de alguma outra maneira”. É realmente incrível como Mardoqueu confiava em Deus.

Seguindo essa lição, devíamos confiar em Deus e não no homem. Jeremias 17:5-8 nos diz de antemão o que acontecerá se colocarmos nossa confiança no homem e o que acontecerá se colocarmos nossa confiança em Deus.

 

Jeremias 17:5-8
"Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do SENHOR! Porque será como a tamargueira no deserto, e não verá quando vem o bem; antes morará nos lugares secos do deserto, na terra salgada e inabitável. Bendito [isto é, Feliz] o homem que confia no SENHOR, e cuja confiança é o SENHOR. Porque será como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro, e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e no ano de sequidão não se afadiga, nem deixa de dar fruto."

 

De um lado temos um homem que confia nos homens e cujos corações estão distante de Deus e do outro lado temos um homem que confia em Deus. Um é como a tamargueira no deserto e outro como árvore plantada junto às águas. Um habita no deserto árido enquanto outro junto ao rio, ou seja, lugar cheio de vida.

Voltando a Mardoqueu, sua resposta mudou a mente de Ester:

 

Ester 4:15-17
"Então disse Ester que tornassem a dizer a Mardoqueu: Vai, ajunta a todos os judeus que se acharem em Susã, e jejuai por mim, e não comais nem bebais por três dias, nem de dia nem de noite, e eu e as minhas servas também assim jejuaremos. E assim irei ter com o rei, ainda que não seja segundo a lei; e se perecer, pereci. Então Mardoqueu foi, e fez conforme a tudo quanto Ester lhe ordenou.”

 

No terceiro dia Ester finalmente foi ter com o Rei. Conforme Ester 4:11, ela poderia ter sido morta ao ir lá sem ser convidada, exceto se o Rei estendesse seu cetro de ouro para ela. Versículo 2 nos diz o que realmente aconteceu:

 

Ester 5:2
"E sucedeu que, vendo o rei a rainha Ester, que estava no pátio, alcançou graça aos seus olhos; e o rei estendeu para Ester o cetro de ouro, que tinha na sua mão, e Ester chegou, e tocou a ponta do cetro."

 

Deus durante a competição fez com que Ester ganhasse graça do Rei e a fizesse rainha (Ester 2:17), apenas para este momento difícil (Ester 4:14). Agora, quando o tempo de Ester entrar em ação chegou, Deus novamente a faz ganhar a graça do mesmo homem, e não foi condenada à morte por ter entrado na corte sem ser convidada. Nesta visita ao Rei, Ester convidou-lhe e a Hamã para um banquete que ela havia preparado para eles aquela tarde. Quando eles foram, um outro banquete foi arranjado para a próxima tarde (Ester 5:3-8). Conforme veremos o tempo de um banquete ao outro foi realmente muito crítico.

 

Ester 5-8: A libertação

O convite da rainha para outro banquete no dia seguinte causou muito alegria em Hamã (Ester 5:9) uma vez que foi uma grande honra festejar com a realeza. Contudo, sua alegria tornar-se-ia em ira ao ver Mardoqueu à entrada do palácio, “e que ele não se levantara nem se movera diante dele" (Ester 5:9). É claro que, apesar da situação, Mardoqueu não estava disposto a prestar homenagem à Hamã. Ele continuou confiando em Deus e em Sua palavra. Ele continuou a acreditar que Deus livraria ele e sua nação. Contudo, a ira de Hamã aumentou ainda mais. Quando ele retornou para casa, apesar da alegria por ter sido convidado pela rainha, ele confessou à sua esposa e seus amigos sua ira por Mardoqueu, sua esposa e amigos lhe deram a seguinte sugestão:

 

Ester 5:14
"Então lhe disseram Zeres, sua mulher, e todos os seus amigos: Faça-se uma forca de cinquenta côvados de altura, e amanhã dize ao rei que nela seja enforcado Mardoqueu; e então entra alegre com o rei ao banquete. E este conselho bem pareceu a Hamã, que mandou fazer a forca."

 

Parece que a situação ficou pior ainda para Mardoqueu. Hamã não esperaria até o dia definido para a destruição dos judeus para vê-lo morto. Ele queria que isso acontecesse o mais rápido possível e de fato, na manhã seguinte. Claro que, se Deus fosse dar a libertação a Mardoqueu tinha que ser naquela noite. E foi o que Ele fez:

 

Ester 6:1-3
"Naquela mesma noite fugiu o sono do rei; então mandou trazer o livro de registro das crônicas, as quais se leram diante do rei. E achou-se escrito que Mardoqueu tinha denunciado Bigtã e Teres, dois dos camareiros do rei, da guarda da porta, que tinham procurado lançar mão do rei Assuero. Então disse o rei: Que honra e distinção se deu por isso a Mardoqueu? E os servos do rei, que ministravam junto a ele, disseram: Coisa nenhuma se lhe fez."

 

Mardoqueu algumas vezes, antes de Ester tornar-se rainha e antes de Hamã ser elevado ao segundo comando, tinha protegido o Rei contra conspiração, planejado por dois camareiros, guarda da porta, Bigtã e Teres (Ester 2:21-23). Embora isto tenha sido escrito nas crônicas, isto é, no diário oficial do reino, nada foi feito para honrar Mardoqueu. Contudo, isto não foi acidental uma vez que foi através deste ato não honrado que Deus traria a libertação para ele, exatamente no momento que ele mais precisava. Então, na noite em que seria a última noite para Mardoqueu, “fugiu o sono do rei”. Embora não esteja escrito explicitamente, os resultados mostrarão que foram divinamente planejados de modo que ele ficasse acordado e fazer as coisas que se seguiram. A primeira coisa foi pedir que lhe trouxessem o livro de Crônicas. Como já sabemos, este livro contém também os registros dos atos de Mardoqueu. Contudo, certamente este não era o único registro neste livro. Ao contrário, um diário como este deveria ter centenas de anotações. Entretanto, naquela noite havia uma única anotação que precisava ser lida e finalmente foi esta a anotação que foi lida. E não foi outra senão aquela referente a Mardoqueu e o bem que ele fez ao rei, e pelo qual não havia sido ainda honrado! Após o Rei saber desse registro e que Mardoqueu não tinha sido ainda honrado, adivinhe o que aconteceu? Ele decidiu honrar Mardoqueu no dia seguinte! Então pela manhã veio Hamã para pedir ao Rei que enforcasse Mardoqueu, uma surpresa desagradável o esperava:

 

Ester 6:4-9
"Então disse o rei: Quem está no pátio? E Hamã tinha entrado no pátio exterior da casa do rei, para dizer ao rei que enforcassem a Mardoqueu na forca que lhe tinha preparado. E os servos do rei lhe disseram: Eis que Hamã está no pátio. E disse o rei que entrasse. E, entrando Hamã, o rei lhe disse: Que se fará ao homem de cuja honra o rei se agrada? Então Hamã disse no seu coração: De quem se agradaria o rei para lhe fazer honra mais do que a mim? Assim disse Hamã ao rei: Para o homem, de cuja honra o rei se agrada, Tragam a veste real que o rei costuma vestir, como também o cavalo em que o rei costuma andar montado, e ponha-se-lhe a coroa real na sua cabeça. E entregue-se a veste e o cavalo à mão de um dos príncipes mais nobres do rei, e vistam delas aquele homem a quem o rei deseja honrar; e levem-no a cavalo pelas ruas da cidade, e apregoe-se diante dele: Assim se fará ao homem a quem o rei deseja honrar!"

 

Hamã disse todas essas coisas, pensando que era ele a quem o rei queria honrar. MAS.............

 

Ester 6:10-12
"Então disse o rei a Hamã: Apressa-te, toma a veste e o cavalo, como disseste, e faze assim para com o judeu Mardoqueu, que está assentado à porta do rei; e coisa nenhuma omitas de tudo quanto disseste. E Hamã tomou a veste e o cavalo, e vestiu a Mardoqueu, e o levou a cavalo pelas ruas da cidade, e apregoou diante dele: Assim se fará ao homem a quem o rei deseja honrar! Depois disto Mardoqueu voltou para a porta do rei; porém Hamã se retirou correndo à sua casa, triste, e de cabeça coberta."

 

Você se lembra como isto começou? Começou com Mardoqueu LAMENTANDO pelo mal que Hamã planejou contra ele e seu povo. Mas veja como terminou. Terminou com Mardoqueu o homem que confiou em Deus cavalgando no cavalo do rei e vestindo as roupas do Rei e com Hamã, até então, o segundo homem no comando, proclamando diante dele e voltando para casa "lamentando"! Contudo, isto não é o fim da história. Aconteceram mais coisas durante o banquete com a rainha. Durante o banquete Ester revelou sua nacionalidade ao rei e que Hamã planejou destruir a nação dela. Quando o rei ouviu isto, ficou furioso (Ester 7:7-8), e quando reis naqueles dias ficavam furiosos com alguém, exceto se este tiver o agrado de Deus, os propósitos para sua vida eram muito desagradáveis! E de fato foi o que aconteceu a Hamã que pode finalmente usar sua forca pessoalmente!

 

Ester 7:9-10
"Então disse Harbona, um dos camareiros que serviam diante do rei: Eis que também a forca de cinquenta côvados de altura que Hamã fizera para Mardoqueu, que falara em defesa do rei, está junto à casa de Hamã. Então disse o rei: Enforcai-o [Hamã] nela. Enforcaram, pois, a Hamã na forca, que ele tinha preparado para Mardoqueu. Então o furor do rei se aplacou."

 

É óbvio que os papéis de Mardoqueu e Hamã eram reversos. Hamã, o segundo homem no comando e o homem que planejou destruir toda a nação judaica e enforcar Mardoqueu, terminou enforcado na forca que ele mesmo tinha preparado para Mardoqueu!! Mais ainda, como está no último versículo do livro de Ester (Ester 10:3) nos diz, Mardoqueu, o homem que confiou em Deus, foi feito o segundo no comando, tomando o lugar de Hamã! Finalmente, como o décimo terceiro dia do décimo segundo mês foi definido como a total destruição dos judeus, o rei não apenas cancelou essa ordem mas também INVERTEU a situação. Sob a nova ordem:

 

Ester 8:11-12
"Nelas o rei concedia aos judeus, que havia em cada cidade, que se reunissem, e se dispusessem para defenderem as suas vidas, e para destruírem, matarem e aniquilarem todas as forças do povo e da província que viessem contra eles, crianças e mulheres, e que se saqueassem os seus bens. Num mesmo dia, em todas as províncias do rei Assuero, no dia treze do duodécimo mês, que é o mês de Adar."

 

Foi realmente uma grande libertação de Deus que tivemos! Mardoqueu o homem que confiou em Deus, começou lamentando e sob a ameaça de ser enforcado por Hamã, mas terminou glorificado por seus inimigos, e assumindo a posição do segundo no comando. De maneira similar, os judeus começaram “chorando e lamentando” e terminaram festejando (Ester 8:17) e seus inimigos destruídos. (Ester 9:1)

Ao contrário, Hamã o que confiou em seu próprio poder, começou como segundo no comando, alegre e preparando o enforcamento de Mardoqueu, mas terminou lamentando e por consequência enforcado na forca que ele tinha preparado para Mardoqueu!

 

Conclusão

Terminando este breve estudo do livro de Ester, poderíamos dizer que esta lição é a mesma lição que é oferecida em muitas outras partes da Palavra de Deus, isto é, a Palavra de Deus é verdadeira Palavra, uma Palavra que não pode ser quebrada apesar das forças contrárias exercidas pelo poder humano e maligno. De fato, aqueles que, como Mardoqueu, confiam Nele, “não serão confundidos”(Isaías, 49:23) mas eles serão como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro, e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e no ano de sequidão não se afadiga, nem deixa de dar fruto" (Jeremias 17:8). Para concluir, portanto:

 

Salmo 37:3-7, 9, 11
"Confia no Senhor e faze o bem; habitarás na terra, e verdadeiramente serás alimentado. Deleita-te também no SENHOR, e te concederá os desejos do teu coração. Entrega o teu caminho ao SENHOR; confia nele, e ele o fará. E ele fará sobressair a tua justiça como a luz, e o teu juízo como o meio-dia. Descansa no SENHOR, e espera nele….mas aqueles que esperam no Senhor herdarão a terra…..os mansos herdarão a terra, e se deleitarão na abundância de paz"

 

Anastasios Kioulachoglou

 



Notas de Rodapé

1. Este nome era mais um título (como Faraó, Chá etc.) do que um nome próprio, e ele significava "O venerável Rei". De acordo com: Sir Henry Rawlinson, Professor Sayce, A Enciclopédia Britânica, e a Enciclopédia Secular de Nomes (veja: The Companion Bible, Publicações Kregel, p. 618) o mesmo também aconteceu com as palavras "Artaxerxes" (que significa "o grande Rei") e "Dario" (que significa "o mantenedor") que aparece muito poucas vezes em algumas partes da Escritura que se refere ao cativeiro na Babilônia.

2. Veja Ester 1 para detalhes.

3. Veja o artigo: "Deus: a fonte da Graça".

4. Para saber mais sobre Agag veja I Samuel 15.

5. Também Josephus, em sua Antiguidades o chama de Amalequita.

6. Veja por exemplo: II Crônicas 16:9, Salmos 18:2-3, 30-31, 22:4-5, 25:2-3, 32:10, 35:9-10, 119:170 etc

 




 

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