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A raça, a luta e o conflito (PDF) Edição em PDF

A raça, a luta e o conflito

Em Hebreus 12:1-3 nós lemos:

Hebreus 12:1-3
“Portanto nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus.” “Considerai, pois, aquele que suportou tais contradições dos pecadores contra si mesmo, para que não enfraqueçais, desfalecendo em vossos ânimos.”

Somos chamados nesta passagem a correr com paciência a carreira que nos é estabelecida, olhando Jesus, autor e consumador de nossa fé. A passagem apresenta nossa caminhada cristã, nossa vida cristã, como uma carreira que precisamos correr:

1. com paciência, e

2. olhando para Jesus, que é o autor e consumador de nossa fé.

Paulo, em outro local, em Filipenses desta vez, fala novamente sobre a carreira. Lá nós lemos:

Filipenses 3:12-14
“Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também preso por Jesus Cristo. Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus."

Paulo não contou como já tendo conseguido o prêmio. Em vez disso, ele estava rejeitando aquelas coisas que estavam atrás avançando o prêmio da vocação de Deus em Cristo Jesus. Havia um objetivo a ser conseguido, um prêmio a ser recebido. Paulo não considerou este prêmio como já recebido. Em vez disso ele focou sua fida para receber este prêmio. Ele estava orientado para o objetivo sendo o objetivo a soberana vocação de Deus em Jesus Cristo.

Paulo fala novamente sobre a carreira e o prêmio em 1 Coríntios 9:24-27. Lá nós lemos:

1 Coríntios 9:24-27
“Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis. E todo aquele que luta de tudo se abstém; eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, uma incorruptível. Pois eu assim corro, não como a coisa incerta; assim combato, não como batendo no ar. Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado.

Paulo estava correndo uma carreira objetivando uma coroa incorruptível. Sua vida estava com o objetivo orientado e Seu objetivo era a coroa incorruptível a ser recebida das mãos do Senhor. Ele não permitiria que nada mais interferisse neste objetivo. Ele não estava correndo com incerteza. Ele sabia Seu objetivo e Ele estava certo do prêmio que esperava por ele. Como os atletas se disciplinam tendo em mente seu objetivo de vencer as corridas, da mesma forma Paulo estava disciplinando o seu corpo, prestando atenção para que ele não ficasse desqualificado. A carreira que Paulo estava correndo não era somente para o pensamento de Paulo. Nós corremos na mesma carreira também. A mesma coroa, o mesmo prêmio está esperando por nós também.

Seguindo adiante, a carreira que nós estamos para correr também está apresentada em uma luta na passagem acima de 1 Coríntios. Paulo está falando sobre isso em outros lugares também. Um deles é 1 Timóteo, onde Paulo, dando instruções a Timóteo, escreve:

1 Timóteo 6:12
Milita a boa milícia da fé, toma posse da vida eterna, para a qual também foste chamado, tendo já feito boa confissão diante de muitas testemunhas.”

Há uma boa luta – a boa luta da fé – que nós devemos lutar. Também em sua carta aos Gálatas, Paulo, questionando a respeito do estado em que a fé deles se encontra, escreve:

Gálatas 5:7-10
Corríeis bem; quem vos impediu, para que não obedeçais à verdade? Esta persuasão não vem daquele que vos chamou. Um pouco de fermento leveda toda a massa. Confio em vós, no Senhor, que nenhuma outra coisa sentireis; mas aquele que vos inquieta, seja ele quem for, sofrerá a condenação.”

Eles estavam correndo bem, mas não muito longe. Alguém os impediu, atrapalhando-os. Parece, portanto, que na carreira há também um competidor, alguém que não quer que corramos bem, e, se possível, não correr de maneira alguma.

Paulo fala novamente sobre a carreira e a luta em 2 Timóteo 2:3-5:

2 Timóteo 2:3-5
Sofre, pois, comigo, as aflições, como bom soldado de Jesus Cristo. Ninguém que milita se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra. E, se alguém também milita, não é coroado se não militar legitimamente.”

A carreira torna-se uma luta, e a luta torna-se uma milícia. O atleta também é um soldado, e o soldado também é um lutador. E um bom soldado deve aprender a persistir na adversidade.

Resumindo o dito acima nós podemos esboçar o seguinte quadro de um bom corredor da carreira, ou um bom soldado:

Assim, o bom soldado ou corredor:

i) corre a carreira com paciência. Conforme Barnes explica em seu comentário:

“A palavra “paciência” significa de certa forma, neste lugar, perseverança. Nós estamos para correr a carreira sem nos permitir ser impedidos por nenhuma obstrução, e sem mostrar desfalecimento no caminho. Encorajado pelo exemplo das multidões que correram a mesma carreira antes de nós, nós devemos perseverar como eles fizeram no fim.”

ii) Ele tem seu objetivo orientado e seu objetivo na vida não é tornar a vida tão confortável quanto possível, mas conseguir o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.

iii) Ele não corre com incerteza. Ele não bate no ar. Diante de seus olhos ele tem seu objetivo, o prêmio, a coroa incorruptível. Como Barnes novamente explica:

“Não com incerteza - (ουκ αδήλως ouk adelos). Esta palavra não ocorre em nenhum outro lugar no Novo Testamento. Ela normalmente significa, para os escritores clássicos, "obscuramente." Aqui ela significa que ele não corre como se não soubesse qual objetivo ele almejasse. “Eu não corro casualmente; eu não me pressiono por nada; eu sei o que eu objetivo, e eu mantenho meus olhos fixos no objeto; eu tenho o objetivo e a coroa em vista.”

iv) Ele se disciplina e sabe muito bem que ele poderia se desqualificar também. Relativo ao perigo de desqualificação, Paulo nos conta em 2 Coríntios:

2 Coríntios 13:5
Examinai-vos a vós mesmos, se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? - Se não é que já estais reprovados.”

O bom corredor prova a si mesmo, averigua a si mesmo para ver se ele permanece na fé. Ele se testa e se disciplina.

iv) Seguindo adiante, o bom soldado não se embaraça com negócios desta vida. Ninguém faz isto a fim de agradecer àquele que o escolheu. Nós podemos ser soldados de Jesus Cristo e ao mesmo tempo termos nosso total interesse em nossos próprios negócios. Quanto há um chamado para os soldados, eles deixam seus negócios para trás, fazendas, lojas e vão para a guerra. Isto agora não significa que, porque nós somos soldados de Jesus Cristo, devamos abandonar nossas ocupações. O próprio Paulo estava tentando ganhar sua vida. Mas nós não devemos nos “embaraçar”, preocuparmos com isso. Conforme o comentário de Matthew Henry sobre toda a Bíblia diz:

“o grande cuidado de um soldado deve ser agradar o seu general; de forma que o grande cuidado de um cristão deve ser agradar a Cristo, aprovar a si próprio para ele. A forma de agradá-lo para aqueles de nós que escolheu ser soldado, é não nos embaraçarmos com os afazeres desta vida, mas livrar-nos de tais embaraços como se nos impedissem de nossa milícia sagrada.”

Em outras palavras eu diria que, certamente, nós temos ocupações nas quais nós trabalhamos ou obrigações de que necessitamos cuidar. Mas nós não devemos nos embaraçar, ter consequências, super ocuparmo-nos delas. Isto não é o objetivo pelo qual nós estamos aqui. Nós estamos aqui é para agradar o nosso General, ser bons soldados de JESUS CRISTO. Nós estamos em uma guerra e não podemos nos estabelecer como se nós não o estivéssemos!

Ainda em relação a isto, conforme o Senhor Jesus Cristo disse na parábola do semeador, os cuidados deste mundo, a decepção dos ricos e o prazer da vida – i.e., os embaraços com as coisas do mundo de que Paulo fala – tornam a Palavra de Deus infrutífera. Nesta parábola muitos começaram bem. A Palavra de Deus foi semeada e espalhada em muitos corações. Ainda que esta fosse somente a última categoria que desse fruto. Isto também mostra que o número daqueles que terminam a corrida frutiferamente não é necessariamente igual ao número dos que a começaram. Vamos dar uma olhada na interpretação que o Senhor deu a esta parábola:

Lucas 8:11-15
“Esta é, pois, a parábola: a semente é a palavra de Deus; E os que estão junto do caminho, estes são os que ouvem; depois vem o diabo, e tira-lhes do coração a palavra, para que não se salvem, crendo; E os que estão sobre pedra, estes são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria, mas não têm raiz, apenas creem por algum tempo, e no tempo da tentação se desviam; E a que caiu entre espinhos, esses são os que ouviram e, indo por diante, são sufocados com os cuidados e riquezas e deleites da vida, e não dão fruto com perfeição. E a que caiu em boa terra, esses são os que, ouvindo a palavra, a conservam num coração honesto e bom, e dão fruto com perseverança”.

A segunda e terceira categorias começaram bem, mas não terminaram bem. Começar a carreira não é, portanto, a única coisa importante. Depois que você começou a carreira, o que é mais importante é continuar correndo. E a única forma de manter-se ativo é correr com paciência, olhando para Jesus, o autor e consumador da nossa fé, lutando o combate, objetivando agradar nosso General e não nos embaraçando nos afazeres desta vida. Há um erro de concepção em que, tornar-se um cristão significa um ingresso para uma vida fácil, cheia de prazeres. A palavra “benção” tem tendência a significar que Deus concederá a você qualquer coisa que lhe agradar. A vida fácil em muitos casos transforma-se no objetivo. Devemos prestar atenção no fato de que ela não se tornará nosso objetivo. Nosso objetivo aqui é servir o Senhor Jesus Cristo e embarcar-se, focar-se nas coisas deste mundo pode fazer somente uma coisa: tornar a semente semeada em nossos corações infrutífera.

Nosso objetivo nesta vida não é satisfazer a definição de sociedade de um cara bem sucedido. Se Paulo, Pedro e os outros fiéis estivessem vivendo hoje eles não seriam muito valorizados pela sociedade. Paulo deixou os privilégios terrenos que ele tinha, e tudo que a sua sociedade reconhecia como valioso, a fim de ganhar Cristo. Conforme ele nos diz em Filipenses 3:4-11:

Filipenses 3:4-11
“Ainda que também podia confiar na carne; se algum outro dia cuida que pode confiar na carne, ainda mais eu: circundado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; segundo a lei, fui fariseu; segundo o zelo, perseguidor da igreja, segundo a justiça que há na lei, irrepreensível. Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo. E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo, e seja achado nele, não tendo a minha justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé; para conhecê-lo, e à virtude da sua ressurreição, e à comunicação de suas aflições, sendo feito conforme à sua morte; para ver se de alguma maneira posso chegar à ressurreição dentre os mortos."

Havia muitas coisas que Paulo tinha conseguido antes que ele se tornasse um cristão. Paulo era alguém que sua sociedade honrava. Ele era um cara “bem sucedido”, de acordo com as definições de sua sociedade, do mundo. Embora ele contasse tudo isso como escória, em comparação com se ganhar Cristo.

Para se tornar frutífero em Cristo, nós devemos persistir diante da desventura, devemos persistir à tentação e desistir de ter confiança nos ricos ou em nosso próprio poder. Se nós nos tornarmos cristãos somente para nos tornarmos um pouco mais ricos, ou um pouco melhores do que nossos vizinhos ou para evitar esta e aquela desventura, ou para conseguir um pouco mais de “benções”, então entendemos tudo errado. Conforme disse Paulo em 1 Coríntios 15:19:

1 Coríntios 15:19
“Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens.”

Se nós somente confiarmos em Cristo para esta vida, se nosso foco é esta vida, então nós somos os mais miseráveis de todos os homens. Em vez disso nosso propósito nesta vida é agradar Aquele que nos chamou: o Senhor Jesus Cristo. Ele é nosso General, o autor e consumador de nossa fé e nós somente correremos a carreira se nós a corrermos com paciência, tendo nossos olhos focados NELE.

Jesus Cristo não prometeu uma vida em que “você terá isso tudo”. Ele nos convidou a carregar nossa cruz (Marcos 8:34). Ele de fato promete benções, mas ele também fala sobre a dificuldade. Há um prêmio, mas também uma corrida. Uma coroa, mas também uma luta. E é lá onde nós precisamos de paciência e do foco correto. É muito mais fácil descer uma colina do que subi-la toda. Descer requer muito pouca orientação de objetivo: As próprias pernas conduzem você. Mas para correr na subida você precisa de paciência e de estar focado no objetivo. Sem isto você poderia, após ficar um pouco cansado, abandonar a corrida e sentar-se pelo caminho passando a sua vida lá. As últimas três categorias da parábola do semeador começaram bem, mas somente a última categoria escolheu continuar correndo colina acima. Elas são aquelas “que caíram em boa terra, essas são os que, ouvindo a palavra, a conservam num coração honesto e bom, e dão fruto com perseverança”. (Lucas 8:15) Eles guardam o fruto com paciência após ouvir a palavra com um coração bom e nobre. Estabeleça como seu objetivo o prêmio da alta vocação de Deus em Cristo Jesus. Estabeleça como seu objetivo agradecer a Deus, para ser um bom soldado de Jesus Cristo, independente do que isto possa representar. Você testou e viu que Deus é bom. Dê portanto enfoque em sua vida sobre Ele.

A corrida: o competidor

Conforme vimos anteriormente, a vida cristã é apresentada como uma luta. Também lendo em Gálatas anteriormente, vimos que eles estavam correndo bem, mas alguém os impediu em sua carreira. Também vimos a tentação, a decepção dos ricos, os cuidados deste mundo e que os prazeres da vida tornaram a segunda e a terceira categorias da parábola do semeador infrutíferas. Nós também vemos na mesma parábola que a primeira categoria perdeu as semeaduras da Palavra de Deus porque o demônio veio e levou-as embora. Deve ser óbvio pelo dito acima que a corrida não é uma corrida solitária. Há também um competidor nesta corrida. Há alguém que não quer que nós terminemos a corrida com sucesso. Ele opõe o nosso objetivo e quer que nós paremos de alcançar o objetivo. Em outras palavras, há um inimigo!

Efésios 6 fala sobre nossa luta com este inimigo:

Efésios 6:10-13
“No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo. Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais. Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes.”

Esta passagem, assim como os versículos que seguem a ela, descreve a luta entre nós e o inimigo. Paulo não começa diretamente com a descrição da luta. Em vez disso, ele começa com um convite: o convite a sermos fortes no Senhor e na pujança de Seu poder. Não há nada como o Senhor. Não é a nossa pujança que pode ultrapassar o inimigo. É a pujança de Seu poder e nós devemos ser fortes nesta pujança. E o convite continua nos chamando para vestir toda a armadura de Deus. Os lutadores têm armaduras e nós, como soldados de Jesus cristo, também temos uma armadura. E a armadura tem um propósito: que nós possamos ser capazes de permanecer contra os ardis do demônio. O inimigo é o demônio e ele é ardiloso. E a passagem continua nos dizendo com quem nós lutamos: não contra os homens, não contra a carne e o sangue, mas contra os principados e poderes e as regras da escuridão desta era. Nós lutamos contra os anfitriões da perversidade nos locais sagrados. Há um inimigo portanto contra quem nós temos que lutar, uma luta que nós temos que lutar e uma armadura que nós temos que vestir.

Os versículos 14-18 nos descrevem esta armadura:

Efésios 6:13-18
“Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito isto, ficar firmes. Estai, pois, firmes, tendo cingidos os vossos lombos com a verdade, e vestida a couraça da justiça; e calçados os pés na preparação do evangelho da paz; tomando sobretudo o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno. Tomai também o capacete da salvação, e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus; orando em todo o templo com toda a oração e súplica no Espírito, e vigiando nisto com toda a perseverança e súplica por todos os santos".

Deus nos deu esta armadura e nós necessitamos de nos preparar e vesti-la, a fim de sermos capazes de lutar a luta contra o inimigo. Maiores descrições e instruções relativas ao nosso competidor na corrida também são dadas em 1 Pedro 5:8=11. Lá nós lemos:

1 Pedro 5:8-11
“Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar. Ao qual resisti firmes na fé, sabendo que as mesmas aflições se cumprem entre os vossos irmãos no mundo. E o Deus de toda a graça, que em Cristo Jesus vos chamou à sua eterna glória, depois de haverdes padecido um pouco, ele mesmo vos aperfeiçoará, confirmará, fortificará e fortalecerá. A Ele seja a glória e o poderio para todo o sempre. Amém.”

O demônio é nosso adversário, nosso oponente. Ele caminha em derredor e seu objetivo é brutal: ele quer nos devorar. Essa é a razão porque a Palavra de Deus nos diz para sermos sóbrios e vigilantes. Conforme o comentário da Bíblia de Matthew Henry sobre estas duas palavras:

“é responsabilidade deles (dos cristãos), 1. Ser sóbrios, e governar tanto o homem externo quanto o interno pelas regras de temperança, modéstia e mortificação. 2. Ser vigilantes; não seguros ou descuidados, mas suspeitosos do constante perigo de seu inimigo espiritual, e, sob essa apreensão, ser observador e diligente para evitar seus desígnios e salvar nossas almas.”

Nós devemos estar focados no objetivo correto. Embora devamos ser vigilantes e alertas, nosso foco não deverá ser o mal, mas o Senhor Jesus Cristo. Nós devemos correr a carreira focando, olhando em direção a Ele, e, ao mesmo tempo, sermos sóbrios e vigilantes em relação ao inimigo. Nós devemos resistir ao inimigo, permanecer firmes na fé. Isto pode significar que nós podemos ter que sofrer por um momento. Isso se torna evidente a partir disto e da passagem que nós vimos de Timóteo, que a vida cristã de fato envolve sofrimento, dificuldade. Isso de fato envolve uma luta e ela requer constância. Isso significa que, durante nossa caminhada cristã, nós temos que sofrer às vezes. Por que eu digo tudo isto? Estou focando mais sobre aqueles de nós que, por alguma razão agora estão desencorajados em sua caminhada cristã; aqueles que sofrem e aqueles em que o que esperam de Deus não parece ainda estar lá. Você está no meio da luta, mas Deus está COM VOCÊ. Conforme Pedro disse “se padece como cristão, não se envergonhe, antes glorifique a Deus nesta parte” (I Pedro 4:16 ). Também em Tiago disse “bem-aventurado o homem que suporta a tentação” ( Tiago 1:12 ). Eu quero encorajá-lo hoje a persistir diante da tentação. Isto não significa que nós devemos fingir que nada aconteceu! Nós podemos ter sentimento de ferimento, nós podemos ter questões e nós podemos nos perguntar por que Deus permitiu tudo isso. Nós devemos expressar nossos sentimentos abertamente a Deus. Nós devemos perguntar-lhe as nossas questões a dizer-lhe como nos sentimos. Nós não podemos deixar isso intocável e somente seguir adiante, enquanto nossos corações estão cheios de ferimentos e desapontamento. Jó foi um homem que viveu honradamente e ainda assim a destruição repentina caiu sobre ele. Sua coração deteriorou-se muito rapidamente. Seus filhos morreram. Ele perdeu toda a sua propriedade e sua esposa vivia desprezando-o por manter sua fé. No ápice, seus amigos estavam se envergonhando dele pelo que havia acontecido a ele. Quem poderia ter imaginado uma combinação pior do que esta? Jó queria morrer, e eu poderia ter querido isto também, se eu estivesse em seu lugar. Mas como ele reagiu? Ele não foi pela razão, nem ofendeu a Deus, como sua esposa o encorajava a fazer. Em vez disso, ele suplicou ao Senhor, abrindo o seu coração a Ele e ao mesmo tempo questionando-o. Seu livro é um livro cheio de porquês e questionamentos dirigidos a Deus. Você também pode ter sofrido muito e você pode ter muitos porquês. As coisas que você pode ter experimentado podem não ter acontecido. Poucas coisas são piores do que a esperança não suprida. Esperança de que Deus fará isto e porém Ele não o faz. Pode ser um trabalho que você não tenha conseguido, uma esposa que não apareça, a saúde que não seja restaurada, a esperança que não seja suprida. O que quer que seja, é um experimento. O que quer que seja você NÃO pode fechar o seu coração. O que quer que seja você tem que falar sobre isso ao Senhor. Questione-o; suplique a Ele; comunique-se com Ele. Em todo o seu sofrimento Jó não blasfemou Deus como sua esposa pediu-lhe que fizesse. Conforme ele disse “ainda que Ele me mate, nele esperarei” (Jó 13:15 ). Em todo o seu terrível sofrimento e em todo seu debate com Deus, Jó era fiel. Uma coisa é questionar Deus em amizade com Ele, conforme Jó fez, outra é rejeitá-lo. Jó estava cheio de dor, mas ele na verdade persistiu no experimento. Sua esposa, que eu não sei se ela originariamente tinha fé ou não, estava também cheia de dor, mas não persistiu. Ele podia ter tido esperança em Deus nos bons dias, mas nos dias de sofrimento ela se extraviou... a segunda categoria da parábola do semeador. Mas Jó disse: somente as boas coisas receberá de Deus. Não também as ruins (Jó 2:10). Jó estava preparado e você também deve estar. Você deve estar preparado e tomar uma decisão em que, qualquer que seja ela, qualquer que seja o sofrimento, qualquer que seja a esperança não suprida que se tenha, você permanecerá fiel até o fim. Não é fidelidade a uma ideia... mas fidelidade ao Deus que revelou-se para você. Tome a decisão para correr a carreira até o fim, qualquer que seja ela, e corra-a com paciência olhando para Jesus, o autor e consumador de nossa fé! Conforme disse Pedro:

“E o Deus de toda a graça, que em Cristo Jesus vos chamou à sua eterna glória, depois de haverdes padecido um pouco, ele mesmo vos aperfeiçoará, confirmará, fortificará e fortalecerá. A Ele seja a glória e o poderio para todo o sempre. Amém.”

Deus o abençoe.

Anastasios Kioulachoglou